Voltar
No dia 13 de setembro de 2011 aterrei no aeroporto de Lisboa com marido, dois filhos e seis malas de viagem. O resto das nossas coisas chegaria vários meses mais tarde, num contentor que embarcou em Newark e foi parar à casa de um senhor, perdida na serra para os lados de Alcobaça, vá-se lá saber porquê.
Desde que fui que sabia que queria voltar, só não sabia quanto quereria voltar. Estamos a falar de um período em que os Estados Unidos da América eram liderados por alguém que qualquer um de nós gostaria de convidar para jantar e, mesmo assim, a ideia de ficar a viver lá nunca me passou pela cabeça. Aquele período da minha vida foi intenso, entre um bebé recém-nascido, um filho pequeno que rapidamente ganhou sotaque da Nova Jérsea, experiências profissionais sui generis e, claro, um casamento que já acusava sintomas do que viria a ser o seu fim daí a 5 anos.
Regressar a Portugal era voltar a viver numa dimensão em que não me sinto extraterrestre na minha pequenez e cabelo escuro. Era sair do que parecia ser uma televisão ligada em contínuo na TV Shop. Era reencontrar família e amigos, mesmo que todos estivessem ligeiramente diferentes. E era reencontrar-me, depois de me ter perdido em gravidez, centros comerciais em saldos contínuos, depressão pós-parto, invernos secos e verões de colar a roupa à pele. Ficou a saudade dos pirilampos na varanda, ao jantar.
Obrigada Google Street View por mostrares que está tudo na mesma.


