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(quem volta aonde?)
Nasci portuguesa, mas entretanto já passei mais de metade da minha vida na Alemanha: sou “alemoa” em Portugal e portuguesa na Alemanha.
Vou e venho entre países, voltando sempre aos lugares de onde sou e não sou ao mesmo tempo.
Às vezes, parece-me uma situação um bocadinho instável para se viver.
Mas depois ocorre-me que a maioria das pessoas são e não são de um lugar. Quase todos mudaram de bairro ou de cidade, foram da aldeia para a cidade, ou da cidade para o interior. Tiveram avós “das berças”, agora dizem “raízes”.
E está muito bem assim. Porque quem fica sempre no mesmo sítio nunca precisa de voltar, nem de se perguntar quem é naquela terra para onde volta. Para essas pessoas, deve ser mais difícil distinguir entre o seu ser e o seu hábito de ser no lugar de onde nunca saíram.

