Treinos
Sobre diferentes tipos de exercício
Não gosto.
Acho que é isso que tenho a dizer sobre treinos. Nunca sinto vontade de treinar, não me dá qualquer prazer, não saio de lá empoderada e revigorada, mas antes exausta e não raras vezes humilhada. Não consigo dizer em quantos ginásios e aulas estive inscrita ao longo da minha vida, desde yoga e aeróbica, até step, cycling, bodybalance, bodyattack ou outro-body-qualquer. Já tive um PT (que era uma coisa que resultava muito, pena ser tão caro) e agora estou mais ou menos rendida ao pilates, com e sem reformer, mas sempre com grande sofrimento. Não tenho força, não tenho resistência, sou péssima na coordenação. Obrigo-me a ir. Penso no dinheiro que pago pelas aulas (o argumento financeiro funciona bastante entre as pessoas remediadas) e penso, acima de tudo, na minha saúde. Porque é realmente importante. E mesmo assim, mesmo com recriminações e sentimentos de culpa, dou por mim a desmarcar aulas em cima da hora, porque não me sinto com energia ou porque tenho que fazer o jantar ou porque tenho que trabalhar ou outra coisa qualquer que sirva para me auto-justificar, sabendo ao mesmo tempo que nenhuma justificação é boa.
Estamos, então, há já algum tempo, na fase pilates e caminhada. Ao domingo pilates no reformer (mais conhecido como máquina de tortura medieval), pilates no tapete pelo menos uma vez durante a semana, andar a pé sempre que possível. Foi o conselho do médico de família: andar, todos os dias, consistentemente, para ajudar a hipertensão e tudo o resto, disse ele. “Pode ir ao ginásio, faça o que quiser, mas ande”, ordenou-me, garantindo-me que este seria ainda o melhor exercício “para a cabeça”. Eu obedeço. Tenho-me esforçado. Ou melhor, estava a esforçar-me. Entretanto chegou o calor. E depois tive turnos à noite, que me deixam sempre derrubada. E a seguir uma dor de dentes. Não é fácil. Tenho que me esforçar mais, obviamente.
Portanto, de treinos não gosto.
Com exceção destes.
“Treinos” é o nome do grupo de whatsapp que junta as miúdas deste largo. Porque estávamos todas a precisar de treinar a escrita, imagino eu, nunca perguntei, mas achei que se adequava, senti-me motivada. Bora lá treinar! Treinar a cabeça, a discussão, o texto – há lá coisa melhor? Este é o meu tipo de exercício favorito. Também não sou muito assídua, é verdade, mas quando venho é uma alegria. E sinto-me francamente melhor do que se tivesse de fazer três pranchas de 30 segundos cada, sem desistir a meio nem colocar disfarçadamente o joelho no chão.
Hoje vim ao treino. E para celebrar hei de ir fazer uma caminhada mais logo, pela fresca. Fica prometido.


