Treinos
Escrevi um email assertivo mas muito educado à minha Junta de Freguesia. Paira sobre os fregueses a ameaça de, no próximo ano letivo, deixar de haver aulas de yoga e de pilates. Ligaram para sondar as nossas disponibilidades para outros dias mas, como a funcionária que controla as chaves é desbocada e está aflita com as contas para pagar, começámos a somar dois mais dois: ao que tudo indica, vai dar zero. Não é zero para mim, que faço desporto noutras valências, mas para os residentes do bairro social que frequentam estas aulas. Gosto muito destes meus colegas e sei que a atividade física lhes faz falta. A muita conversa nas aulas, também. São quase todos velhotes de t-shirt de algodão e calças de fato de treino. Sofrem para chegar aos dedos dos pés, bufam quando o pavilhão gimnodesportivo fica muito quente ou muito frio (ou seja, quase sempre) e só estendem os tapetes depois de mostrarem as fotografias dos netos uns aos outros, nos telemóveis. Não vou mentir: uma das razões por que gosto mais destas aulas é porque, ao lado deles, me sinto uma ginasta acrobática elegantérrima e não a senhora de meia idade que realmente sou. E gosto de treinar só por treinar. Sem objetivos. Sem métricas. Só mexer o corpo porque isso é bom. Espero que mais fregueses se indignem e que consigamos pressionar a Junta a manter as aulas. Depois de mandarmos o pacote laboral dar uma grande volta, estou para aqui com um assomo de otimismo.

