Bruxas
Não sou de intrigas, mas hoje viemos todas vestidas de preto
Seis mulheres a trabalhar em open space. Os níveis de tolerância mútua variam com os ciclos menstruais. Lágrimas comovidas, lágrimas de raiva. Festinhas na cabeça rapidamente resvalam para a vontade de arrancar cabelos. Existe uma razão pela qual as bruxas de outrora viviam sozinhas e só se juntavam nos solstícios, com fogueiras pelo meio. A bruxa é um ser livre por definição, precisa de espaço e de ordem (podia voar como quisesse mas escolheu uma vassoura: acaso?, não me parece). Há intencionalidade por trás de cada interação. Um ingrediente que falta, uma mezinha que desenvolveu e que pode partilhar com a comunidade. Bruxaria é ecologia, cada elemento tem a sua função, complementando-se sem atropelos. Fechadas num escritório com ar condicionado e diferentes termostatos pessoais, é natural que desenvolvam bruxismo, que façam desaparecer documentos no servidor ou que cheguem ao extremo de trocar emails indignados com demasiadas pessoas em Cc. Mas nunca deixam de reforçar a cesta das guloseimas ou de arranjar quem adote um gatinho abandonado. Tudo isto assenta num equilíbrio precário. Um dia destes, uma de nós

